As tão esperadas férias de julho! (07/2013)

O tempo passa, o tempo voa! O ano mal começou e num piscar de olhos o meio do ano chegou. Meio do ano refere-se a julho e com julho chegam as tão esperadas férias! Como é bom ter alguns dias para descansar da escola! As crianças acham o máximo, pois não terão que acordar cedo, poderão assistir televisão até mais tarde e fazer outros programas, como ir ao clube, passear no sítio e até viajar com a família!

Como eu sempre gostei de escrever, já aproveitava minhas férias pensando na redação que a professora pediria quando as aulas voltassem. Passei minha infância e adolescência nos sítios dos tios. Eles me carregavam pra todo lado! Sinto saudades daquela época, de pisar na terra, tomar banho de rio e catar cigarras secas nas árvores e fazê-las de broche. Sinto saudades da casinha na árvore, de jogar vôlei e brincar de cobra-cega, ou cabra-cega! O nome nem importa, o importante é que era bom a beça!

Em um dos meses de julho da minha vida fui para a beira do rio e foi aquela festa! Um fato inédito ocorreu: meu tio apareceu com um Jet Ski e como ele era bonito! Eu nunca tinha visto um de perto antes e foi emocionante andar na garupa da minha prima! Isso mesmo! Não tive coragem de pilotar aquela máquina e passeei naquela imensidão de água agarrada na cintura dela! Ao retornar para escola, minha professora pediu para escrever sobre as férias de julho e eu contei como tudo tinha acontecido! Claro que não contei que andei na garupa do Jet Ski, né!

Julho está aí e com ele vieram as lembranças. Como foi boa a minha infância! Como era bom ser criança! São ótimas as recordações! São momentos especiais que não voltarão mais!

Anúncios

O que você quer ser quando crescer? (05/2013)

Lembro-me como se fosse ontem de uma pergunta que me fizeram naquela noite tão especial, no meu baile de debutantes, que acontecia na Sede I do Automóvel Clube de Cláudio: o que você quer ser quando crescer? Eu respondi com palavras seguras: eu quero ser professora!

Como uma menina de aproximadamente quinze anos poderia saber o que faria por toda sua vida? É claro que desde novos admiramos várias profissões, mas com quinze anos ainda não descobrimos nem as nossas aptidões. Nem com quinze, nem com dezoito, talvez nem com 25 anos.

Acredito que vários fatores colaboraram para que eu respondesse daquela maneira, afinal, minha mãe é professora e eu cresci admirando seu belo trabalho, bem como o amor que ela sempre teve por sua profissão, a arte de ensinar.

Há algum tempo venho pensando muito sobre este tema, sobre a escolha profissional. A cada dia presencio conversas sobre esta dificuldade, seja numa mesa de bar, numa roda de amigos ou num encontro familiar. A maioria dos jovens encontra-se perdida ou desiludida com suas escolhas profissionais. E não são somente jovens de dezoito anos. Existem pessoas perdidas e desiludidas aos trinta anos ou mais. Considero este um caso muito sério, pois temos hoje muitas opções de cursos técnicos e universitários e os jovens ficam ansiosos e indecisos sobre qual caminho seguir. Surgem várias dúvidas e o que pesa mais? Fazer o que dá prazer? Fazer o que dá mais dinheiro? Fazer algo que ofereça mais ofertas de trabalho? Fazer algo que traga estabilidade?

Eu fui vítima desta enrascada. Hoje, depois de muitas indagações e com ajuda profissional, curso a minha segunda graduação e acredito estar fazendo o que realmente eu gosto e o que quero fazer por toda minha vida.

Penso sobre o que poderia ser feito para ajudar os jovens a se decidirem profissionalmente. Será que a escolha profissional e a percepção dos dons e aptidões de cada ser não poderiam ser trabalhados na escola? Precisaríamos de uma reestruturação em nosso ensino? São muitas as perguntas e eu, infelizmente, não tenho as respostas. Acredito que ações iniciais poderiam ser tomadas, como a realização de palestras com diversos profissionais, para apresentarem as rotinas das suas profissões, levantamento das oportunidades no mercado de trabalho, divulgação dos cursos técnicos e universitários, um acompanhamento psicológico para o auto-conhecimento dos alunos, e quem sabe até dar auxílio para elaboração de um currículo.

A ajuda também pode e deve vir de casa. As famílias precisam conversar mais sobre o assunto, para ouvir dos filhos o que eles realmente pensam e planejam para o seu futuro e sugerir caminhos que possam ser trilhados. O apoio familiar é fundamental para que esta escolha tão importante seja realizada com sensatez.

Acredito que o ponto crucial para uma escolha profissional consciente e feliz é o auto-conhecimento de cada um. O jovem precisa se descobrir, descobrir o que realmente gosta de fazer, para assim escolher um ofício que lhe dê prazer. Se realizar um bom trabalho, seja em qualquer profissão, e ser um trabalhador de referência no mercado, não faltarão oportunidades e a valorização, tanto profissional quanto financeira, surgirá posteriormente. O importante é dar sentido à nossa vida e viver com felicidade, trabalhando com prazer e contribuindo para com a sociedade. E um detalhe importantíssimo: ter sempre esperança de realizar o seu sonho! Corra atrás e vá em frente! Nada é impossível quando se quer algo verdadeiramente!

Ah! O que eu quero ser quando eu crescer? Eu quero ser jornalista! E quem sabe ser professora também! E você, já sabe o que quer ser quando você crescer?

Divisão de Abraços e Comidas (05/2013)

Tudo aconteceu na esquina de um bairro nobre de BH, num boteco onde o cardápio principal e único eram espetinhos de carne e queijo. Foi ali que alguns dos atleticanos que não foram ao Independência se aglomeraram.

Uma TV de 32 polegadas, olhos vidrados, paixão pelo time e comédias! Foi uma noite de sorrisos, não somente pela vitória glamorosa do Atlético Mineiro em cima do São Paulo na Libertadores. Foram acontecimentos que se casaram e fecharam a noite de quarta-feira com chave de ouro.

Com dificuldade, eu e meu “namorido” conseguimos uma mesa depois de comprarmos as fichinhas. É assim que funciona! A gente precisa ir ao caixa, pegar as fichinhas e pedir à garçonete o espetinho! E assim tudo aconteceu!

Concentração total no jogo, camisas alvinegras e vários personagens. Primeiro chamou-me a atenção um “tio” de aproximadamente cinquenta anos, vestido como um garoto e falando gírias! Que peça! O cara me fez rir a noite toda! Além de transparecer felicidade, ele parecia estar anestesiado por alguma substância qualquer e viajava na onda do espetáculo!

Entre um gol e outro, me apareceu um morador de rua, que parecia ser “chegado” dos frequentadores do bar. Aquele homem não cheirava bem, mas nem isso fez com que abraços deixassem de acontecer. Cada espetinho que a garçonete servia aos clientes era perseguido pelo olhar do morador de rua, mas isso durou pouco. Alguns instantes depois os atleticanos estavam oferecendo comida para o “coitado”.

O Atlético vencia e os atleticanos gritavam a cada drible do Ronaldinho Gaúcho. Quanta alegria depois de tantos anos de peleja! Os carros passavam naquela rua buzinando, gritos saíam das janelas dos prédios e grande parte da capital mineira estava em festa!

De repente, na direção da televisão, avistei alguém vestido de palhaço e logo percebi que era um vendedor de balas. Ele alegrou os clientes do bar e reproduzia músicas conhecidas através de um megafone. O vendedor de balas por vezes se desconcentrou da sua atividade, pois era quase impossível não olhar para televisão. Ele trabalhou, ganhou seu dinheirinho e se divertiu ao mesmo tempo!

Foi um espetáculo! O Galo venceu o São Paulo por 4 x 1 e garantiu sua vaga nas quartas de final da Libertadores. Fiquei feliz, confesso, pois sou atleticana desde que nasci, conforme disseram meus pais. O que acontecerá no decorrer do campeonato pouco me importa! Acredito que o time merecedor levará o título. O que realmente mexeu e mexe comigo é saber e perceber como as pessoas se interagem, dividem abraços e até comida, diante da paixão por um time. Ali, elas esqueceram todas as suas diferenças e ficaram em paz.

Espelho, espelho meu! Quer se casar comigo? (05/2013)

Mês de maio, mês das noivas e lá vem a mesma história: casamentos, casamentos e casamentos. Quanta felicidade! Dos outros, né! Não é que eu não desejo a felicidade do meu próximo, mas, e eu? Podem acreditar! Este é o pensamento de muitas mulheres da minha idade, com aproximadamente 30 anos. Temerosos 30 anos!

Ao refletir sobre este assunto (do qual eu quase nem me lembro!), ressuscitei de minha memória um desejo antigo, que se encontrava adormecido no meu eu: alianças de compromisso. Não estou falando de alianças de noivado não! Refiro-me àquelas alianças que os namorados usam para simbolizar o compromisso existente entre eles. Numa tarde de sábado (lembro-me como se fosse ontem), quando adolescente, eu joguei aquela indireta totalmente direta para um ex-namorado, do quanto eu achava bacana um casal de namorados usar alianças de compromisso. Ele respondeu rapidamente, com sua opinião totalmente formada, que era bobagem, que o importante era o sentimento que existia entre o casal e patati patatá! Concordei com ele, até porque eu não tinha outra opção. Mas pensei comigo mesma, se eu fosse o homem da relação já teria comprado o danado do par de alianças! Resultado: eu nunca usei aliança de compromisso, nem com ele e nem com nenhum outro namorado. Logo eu, que comecei a namorar tão nova! Paciência, Mariana, paciência! Hoje, mais madura, sei o que realmente importa num relacionamento e já superei o “trauma” das alianças.


No último domingo fui à missa em minha querida cidade de Cláudio. Era missa das crianças e além dos belos ensinamentos que tive durante a celebração, algo também me chamou a atenção. Para todos os lados que eu olhava, eu avistava um antigo colega de escola, acompanhado de seus maridos, esposas e filhos. Parecia até que tínhamos marcado um reencontro da turma da escola! E como a vida deles estava diferente da minha! Meu Deus! O tempo passou rápido ou eu que parei no tempo? Muitos colegas já se casaram, tiveram filhos, alguns já se divorciaram e eu estou aqui, na mesma! Solteira!


Tenho um lindo namorado (por dentro e por fora), muitos sonhos e um medo: ficar para titia! E não venham me dizer que nunca sentiram este medo, meninas! Nunca vi ninguém optar por ser titia!


Entra ano, sai ano e os eventos mudaram! Só recebo convites de casamentos, chás-de-panelas, chás-de-fraldas e aniversários de crianças! As amigas e primas já estão jogando os buquês e fazendo questão de falar o meu nome no microfone para eu tentar pegá-los! Neste momento procuro um buraco para enfiar minha cabeça! E vem aquela tia inconveniente e me pergunta, na frente de várias outras pessoas, quando eu irei me casar e faz questão de me lembrar de que os “trinta” estão chegando! Ela nem imagina que penso nisso todos os dias!


Na verdade, eu acho que fui criada para estudar, casar, trabalhar e ter filhos! Sempre quis isso, desde nova! Eu me imaginava casada com 24 anos de idade e para mim a maternidade é a maior dádiva do mundo! E aqui estou eu, com meus 29 anos, cheia de sonhos, objetivos, metas e o casamento não aparenta estar tão próximo assim!


Não quero que minhas palavras soem como o desespero em pessoa, muito pelo contrário! Sou uma solteira feliz, de verdade! Só quero que vocês tomem conhecimento que eu não sou a única mulher que pensa assim e que vive assim! Fiquem tranquilas mulheres do meu Brasil! Somos milhares na mesma situação e tudo acontece na hora certa! Quantos casais vivem de aparências, quantas pessoas estão infelizes em suas relações! Pensem nisso!


E por falar em encalhamento, estou lendo um livro muito bacana, com o qual me identifiquei “demasiadamente demais” e tenho certeza que qualquer mulher que passa ou já passou por esta fase também se identificará e se divertirá bastante! Ele se chama “A Bonitona Encalhada” onde a autora, Laura Henriques, relata situações, casos, acasos e conselhos para ser feliz em qualquer estado civil. Para o alívio das solteironas, a autora hoje se encontra casadinha da Silva. Então façamos como a “Bonitona Encalhada”, fazendo do limão uma limonada!


Mais um mês de maio, mais noivas, mais convites e mais buquês que eu não pegarei! E que venham mais e mais meses de maio! O mês das noivas, o qual um dia será o meu! Espelho, espelho meu! Quer se casar comigo?

Entrevista com Laura Henriques, autora do livro “A Bonitona Encalhada”.

A autora do livro “A Bonitona Encalhada” gentilmente respondeu algumas perguntas:

Mariana: Como surgiu a ideia do livro “A Bonitona Encalhada

Laura: Na verdade, meu sonho sempre foi ser escritora. Eu gosto muito de escrever, mas, apesar de não ser uma pessoa tímida, sempre fui tímida para mostrar aos outros o que eu escrevia. Aí, uma amiga minha, que é publicitária, me deu a ideia de criar um blog, em que meu nome não aparecesse, para que outras pessoas pudessem dar opinião. Comecei a escrever no blog e conheci uma editora, que deu a ideia de transformar o blog num livro.

Mariana: Você é divertida e criativa ao escrever. Quem mais lhe inspirou?

Laura: Minhas inspirações são muitas: Clarice Lispector, Cora Coralina, Machado de Assis. Eu sonhava em escrever como eles, com toda a carga literária e tudo mais. Só que, sempre que eu me sentava (e ainda hoje, quando me sento) para escrever, o que sai é uma prosa bem leve, cotidiana, informal… Um dia, estava lendo um texto do Machado de Assis que conta uma história assim: um compositor que sonhava em escrever uma grande ópera, mas sempre que se sentava ao piano, só conseguia fazer música popular. Ele era aclamado pelo público, mas se sentia inconformado, porque sua obra não era “nobre”. Fiquei pensando muito e cheguei à conclusão de que se eu fosse esperar escrever como a Clarice Lispector para publicar algo, poderia morrer esperando. Então, parei de ser tão exigente e comecei a publicar o que eu dava conta de produzir mesmo. Não acho que eu seja divertida e criativa, apenas escrevo exatamente como penso, como se estivesse batendo papo com minhas amigas, mesmo porque, grande parte dos meus textos surgiu assim: escrevendo e-mails. Há muitos anos que minha rotina é super corrida. Fazia estágio, ginástica, duas faculdades e o jeito mais fácil de manter contato (antes do whatsapp e dos chats) era escrever e-mails com meus casos, que eu mandava para as amigas, pedindo conselhos, opiniões, desabafando. E esses e-mails se tornaram a maior matéria prima do blog e, posteriormente, do livro.

Mariana: Como você, que é tão bonita, se sentia na fase de encalhamento?

Laura: Eu acho que toda mulher se sente um pouco angustiada. Vinha de um namoro de 7 anos e, quando terminei, achava que seria fácil (e rápido) encontrar um outro alguém, porque é o que todo mundo fala, né? Quando começou a demorar este processo, fiquei me sentindo o chuchu no café da manhã. Hoje, olhando tudo o que aconteceu, acho que foi uma bobagem, mas a dor é de cada um, no seu momento, não dá pra julgar a dor dos outros… Engordei 14 quilos depois que terminei meu namoro, me achava horrível, feia, chata. Mas o mais importante é que eu aprendi, primeiramente, a ser feliz comigo mesma. Só depois que fiz as pazes comigo, sozinha, é que consegui começar um novo relacionamento. Li uma entrevista da Carolina Dieckmann, não me lembro de onde, e achei sensacional. Ela dizia que, em seu primeiro casamento, achava que estar casada era a coisa mais importante do mundo, e que, para desfazer um casamento, alguma coisa grave tinha que acontecer (uma traição, agressão, algo assim). Então, ela disse que lutou muito para se separar, para tomar a decisão “só” porque não estava se sentindo feliz, porque achava que sua insatisfação era “muito pouco” para quebrar um compromisso desse porte. Depois de tomar coragem de se separar, ela encontrou outra pessoa, o atual marido, mas tinha tido a experiência de ser feliz, solteira. Então ela decidiu que só se casaria se pudesse continuar sendo plenamente feliz, que a meta, no fim das contas, tem que ser esta: ser feliz. Em resumo, não é preciso estar muito ruim para um casamento terminar, pelo contrário: é preciso estar muito bom para se manter casada. Este tem sido o meu lema: todos os dias me pergunto se estou mais feliz casada do que estaria se estivesse solteira. Felizmente, até hoje a minha resposta é sim! Se um dia isso mudar, eu repenso tudo, sem problemas. Guimarães Rosa fala que “o que a vida quer da gente é coragem”, e eu acho que é bem por ai mesmo.

Mariana: O seu namorado, hoje seu atual marido, lhe entendia e lhe dava forças para continuar escrevendo sobre o assunto? Ele se sentia pressionado a lhe pedir em casamento?

Laura: Sim para os dois. Dava-me força, apoio, e se sentia um pouco pressionado. Ainda mais quando comecei a receber propostas de casamento pelo blog! Enfim, acho que o apoio dele foi fundamental (e continua sendo) para tudo o que faço na vida. Sempre tive a preocupação, contudo, de me preservar e, por mais que eu me abra bastante nos textos, não exponho detalhes dele, nem do nosso relacionamento. Também não entro em detalhes muito íntimos, nem meus nem de outras pessoas. Tento criar “teorias” em que muitas pessoas possam se identificar, pois me preocupo muito em não magoar minhas “fontes de inspiração”.

Mariana: Hoje, casada e desencalhada, como você enxerga a fase de encalhamento das bonitonas?

Laura: Com carinho. Sei que, para os outros, pode parecer bobagem, mas cada um sabe o que incomoda e é muito ruim quando a gente quer muito que algo aconteça e esta coisa não depende de nós. O encalhamento é assim: frustrante. Aprendemos que as mulheres hoje podem tudo: somos bem sucedidas, lindas, preparadas, mas, para o amor, ainda precisamos do outro e, pelo visto, os homens estão cada vez mais imaturos… sei o quanto é difícil querer resolver o assunto, achar alguém para ser companheiro, amigo, namorado, e não conseguir. Por outro lado, acho que estou ficando meio velha para estas questões, vejo que a dinâmica dos relacionamentos mudou desde a minha experiência solteira. E olha que não tem tanto tempo assim… Acho que as meninas estão mais desencanadas, também não sei mais se estão em busca de relacionamentos sérios. Preciso me atualizar!

Mariana: Você acredita que cada tampa tem a sua panela? Você acredita no amor?

Laura: Claro! Em várias tampas, na verdade. Acho que a gente pode encontrar muitas pessoas que nos façam felizes em nosso caminho. Independentemente do tempo do relacionamento, o que importa é estar por inteiro e ser feliz, ai, me vejo obrigada a concordar com Vinicius de Moraes: que seja eterno enquanto dure!

Mariana: Qual o conselho que você deixa para as solteiras revoltadas e desesperadas para se desencalharem?

Laura: Sejam vocês mesmas, amem-se em primeiro lugar. A maior verdade é que é melhor estar só do que mal acompanhada. Juro!!! Não se desesperem e nem aceitem “qualquer coisa” simplesmente para estar num relacionamento. Enquanto o príncipe encantado não vem, divirtam-se. De preferência com as amigas, e não com sapos!

Quem é a dona da alegria? É ela, é a Vovó Luca! (04/2013)

Abril pode até ser o mês da mentira, mas o que vou contar aqui é a pura verdade! São casos e acasos de uma senhorinha bem famosa da cidade de Cláudio, que completará mais uma primavera neste mês. Quantos anos ela fará? Ela já perdeu a conta!
Brincadeiras a parte, ela está contando os dias para chegar o dia 22 e completar seus 93 anos! Simpática como ela só, tenho muito orgulho dela ser minha avó!!

Quem é a dona da alegria? É ela, é a Vovó Luca!

Não tem como ficar triste perto dela. Vitalina de Melo Jorge, mais conhecida como Dona Luca, é uma peça rara! Uma mulher de fibra, com uma linda história de vida! Ela tem uma cabeça boa, uma memória de ouro! Diz que não escuta e nem enxerga direito, mas dá notícias de tudo! Moderna por dentro e por fora, ela entende e aceita as mudanças da vida! É vaidosa, adora estar cheirosa, com unhas e cabelos cuidados. Gosta de cantar, de dançar e adora uma piscina!

Os causos da Dona Luca não caberiam num só livro, muito menos nestas linhas. Mas vale a pena contar para vocês um pouco desta linda trajetória de vida.

A terceira de seis filhos nasceu no Ribeirão do Servo em 1920. Filha de Francisco Gonçalves de Melo e Belmira Ferreira de Jesus de Melo, Luca teve uma infância típica de quem mora na roça. Estudava na cidade e demorava para chegar na escola, pois andava muitos quilômetros, “pra não falar meia légua”. Sua mãe tinha uma criação de galinhas e quando vinha a chuva nenhum pintinho morria porque ela guardava todos. Ela sempre foi “muito espertinha, muito viva”! Foi crescendo, crescendo! Gostava de passear na cidade de Carmo do Cajuru.

Quando tinha 15 anos, chegou um rapaz de Cláudio, cinco anos mais velho que ela, para lecionar no Ribeirão e se hospedou na casa de Luca. Nesse meio tempo começaram a gostar um do outro. Ele era seu professor e aplicava castigos em Luca para despistar o carinho especial que sentia por ela. O nome dele era Emílio. Emílio Jorge Antônio. Ali nasceu uma linda história de amor!

Depois de um tempo, Emílio foi embora para capital para trabalhar e Luca ficou na saudade! Ele arrumou uma namorada em Belo Horizonte, mas Luca não se importava. Ela queria era ele mesmo. Aceitou e ficou esperando pelo seu grande amor, que um dia voltou para seus braços. Eles ficaram juntos por mais 6 anos, Emílio morando em Belo Horizonte e Luca no Ribeirão. Ele a visitava sempre que podia! Luca ficava com saudade, esperando ansiosa a hora de ele chegar. Quando Emílio vinha de BH eles “não podiam nem dar as mãozinhas”. Não podia dar a mão nem mesmo para ajudá-la a subir no ônibus. “Era um pra lá o outro pra cá”! E o respeito reinava ali.

Depois de um término durante o noivado, Emílio chegou em Ribeirão do Servo com seu irmão, Toninho, montado em seu cavalo magro e pangaré, mas ela tinha a visão de um príncipe. O coração bateu forte e Luca, emocionada, recebeu um pedido da renovação do noivado. Ela aceitou logo e assim se casaram! Tiveram nove filhos e foram muito felizes! Emílio faleceu novo, com 55 anos de idade e Luca passou por muitas dificuldades, principalmente financeira. Ela acredita que foi realmente um milagre, pois criou e educou nove filhos, sendo três mulheres (Sônia, Neusa e Wilma) e seis homens (Elmo, Ivan, Élcio, Nelson, Hélvio e Petrônio). Luca confessou que todos os seus filhos eram custosos. Imagino bem! Coitada da vovó!

Os anos foram se passando e os filhos começaram a se casar. Sônia foi a primeira. E aí foi um atrás do outro! Os netos começaram a chegar e outras gerações se formaram! Hoje são nove filhos, vinte e dois netos, dezesseis bisnetos. Ah! Mais dois bisnetos estão a caminho!

Luca é bem humorada e gosta de viver! Sempre agradece por nunca ter perdido nenhum filho e por todos terem saúde. Ela diz sentir saudades da sua vida de antes e afirma que mesmo com todas as dificuldades, ela foi muito feliz!

Vovó disse gostar de um golinho de vinho e que só com o cheiro ela começa a rir! Falou que é bom beber, porém é preciso saber beber. Disse que não gosta de cerveja e nunca conseguiu gostar. Com seus quase 93 anos, ela “nunca experimentou ficar tonta”!

Vovó Luca é toda orgulhosa do seu quarto, da cama relaxante que faz massagem. Faz questão de mostrar para todo mundo! E completa a apresentação do quarto, mostrando o porta-retratos que Emílio Augusto lhe deu de presente, com uma foto dos 80 anos e uma foto dos 90 anos. “Nesta foto, ele pequenininho e eu grande. Na outra, ele grande e eu pequenininha!”.

Numa das nossas conversas, ela confessou que um dia fingiu estar indisposta para não ir almoçar com uma pessoa porque eu, Mariana, estava em Cláudio e ela não sabia que horas eu iria visitá-la. Vovó é custosa! Ainda completou: “para tudo tem desculpas, né!” (risos) Quando eu perguntei se eu poderia contar este caso, ela disse que não, porque no dia que ela realmente estiver indisposta, ninguém acreditará!

Vovó Luca, uma mulher admirável! Mulher de fibra, de muita alegria! Somos muito felizes por tê-la ao nosso lado, nos alegrando, nos ensinando, nos inspirando a viver a vida com vitalidade, não é Vitalina?

Esta é uma homenagem à Vovó Luca pelo seu aniversário de 93 anos!

Parabéns Vovó Luca!

Frases inesquecíveis da Vovó Luca:

• Quando eu ficar velha…
• Estou usando Rugol para prevenir as rugas!
• Traz um café com três golinhos!
• Que beleza!
• Eu gosto é da noite!
• Eu me diverti bastante. Cada um no seu tempo. Era tudo diferente, mas eu diverti bastante.
• Cada dia é uma novela. Casamento do Saulo, aí todo mundo só fala no casamento do Saulo. Aí vem o casamento da Renata. E assim vai! Cada dia é uma novela!

Inesquecível TV de 14 polegadas (03/2013)

Quantos comerciais na TV! A cada dia um modelo novo é lançado, uma tecnologia inovadora é desenvolvida. TVs de Plasma, TVs de Led, Smart TVs e por aí vai! Qualidade de imagens HD, Full HD e o complicado mesmo é acompanhar a velocidade das novidades. Eu nunca fui consumidora assídua dos aparelhos de última geração, até porque quando eles são lançados custam muito caro. Quando sinto a necessidade de utilizar dos seus recursos, me atualizo e adquiro o produto. Na correria do dia a dia e até pela falta de tempo de assistir televisão, me vi no ano de 2013 acompanhando telejornais, novelas e demais atrações da TV numa tela de 14 polegadas. Isso mesmo! Uma pequena TV, porém simpática, pela qual eu peguei um certo amor. Minha fiel companheira, que adquiri há aproximadamente dez anos, paguei de dez vezes no carnê e desde então nunca mais me abandonou.

Como todo começo tem seu fim, a hora do término da nossa relação chegou quando a TV da sala de minha casa estragou, num momento nada propício. Era o último dia de uma novela global que o Brasil todo acompanhava, inclusive as minhas companheiras de casa. Eu, com meu coração mole, cedi minha “amiga” para o cômodo da sala e foi a partir daquele momento que percebi o quanto aquela singela TV de 14 polegadas me fazia falta. Era ela que me dava as primeiras notícias do dia, juntamente com a admirável Renata Vasconcellos, enquanto me aprontava para o trabalho assistindo o Bom Dia Brasil. Mostrava-me como estava o tempo em BH, me ajudando a escolher o look para trabalhar e enquanto eu passava a peça de roupa, ainda antes de sair de casa, aprendia mais uma nova receita com a Ana Maria Braga e Louro José. Na hora do almoço, eu degustava a minha marmitinha, me inteirando dos acontecimentos. Entre uma garfada e outra, digeria mais uma tragédia transmitida pela Sandra Annenberg durante o Jornal Hoje. E assim o dia continuava, até que eu me encontrava com a “velha amiga” novamente, onde eu fechava a noite sorrindo com o bom humor do “Gordo Jô”! E o outro dia era constituído pelas mesmas etapas, porém com conteúdos diferentes. E de repente, eu me vejo sem minha TV. O lugar que ela ficava no meu quarto ficou vazio, parecido com o vazio que ficou em mim, na minha rotina.

Entre uma lamúria e outra pela falta que a TV de 14 polegadas fazia em minha vida, meu pai me abençoou com uma nova TV, de Led, maior que a saudosa companheira e a danadinha só falta falar. Aí você me pergunta se eu estou feliz com minha nova amiga, que acorda e dorme comigo, além de me proporcionar mais nitidez e riqueza de detalhes na imagem e no som das informações transmitidas! Estou sim! Estou muito feliz com minha nova TV e realmente eu precisava de um aparelho melhor, mas de uma coisa eu tenho certeza: minha velha companheira, a simpática e inesquecível TV de 14 polegadas estará em minha história e em meu coração para sempre!

O Primeiro Eu Te Amo (03/2013)

Foi ali, naquela casa simples onde acontecia a comemoração de aniversário da afilhada, que fez questão da nossa presença. Era um cenário bem simples, uma casa humilde, ainda não acabada, bancos espalhados, crianças correndo de um lado para o outro, copos descartáveis e um belo bolo de aniversário para comemorar aquela data tão especial.

Cada presente que ela ganhava era um sorriso até nas orelhas! Abraços calorosos em meio a um funk que rolava, onde as crianças dançavam e faziam o seu melhor, rebolando até o chão. Era a festa deles, da maneira que eles gostavam, da maneira que eles podiam.

Eu estava feliz por estar ali e para cada olhar que eu percebia e observava, uma história era criada na minha cabeça. É o mal de quem gosta de escrever! A gente viaja o tempo todo, a cada instante, com qualquer fato!

O cardápio era farofa, arroz, carne cozida, feijão e salada. De sobremesa tinha o bolo e alguns contados docinhos! Ah! E as gelatinas em copinhos que estavam enfeitando a mesa do bolo e derreteram por causa do calor da casa mal arejada.

Cantamos parabéns, tiramos fotos e registramos aquele momento tão especial da minha afilhada, que registrava ali seus nove anos de vida! Como pode! Vi aquela pequena nascer e daí em diante me apaixono cada dia mais pela sua doçura.

Comemoração de nove anos de idade dela e quase nove meses de namoro! Como eu estava feliz em apresentar aquela realidade ao meu companheiro, aquela casa, aquelas pessoas tão queridas que queriam sempre o meu bem!

E a hora tão esperada chegou! “Vamos cortar o bolo!”, disse a mãe! Os olhos daquelas crianças brilhavam, pois muitas delas nunca tinham cantado seus aniversários diante daquela “belezura” toda! Eu ganhei o meu pedaço da pequena, o qual estava maravilhoso! Cá pra nós, há muito tempo eu não havia experimentado um bolo de aniversário tão gostoso, nem nas festas mais chiques que eu tinha presenciado. Os olhos do meu namorado, quando provou o bolo, brilharam como o das crianças em volta da mesa! Logo ele disse: “eu quero um pedacinho”! Lá vai a Mariana partir um pedacinho do bolo para ele, lembrando que partir bolo não é a minha maior especialidade. Com cuidado, peguei o guardanapo e acompanhada pelos olhos do namorado, não tive sucesso na arte de partir o pedaço de bolo, que se despedaçou todo e não ficou nada bonito! Eu até suei! E com cara de dengo, ao entregar-lhe o delicioso e mal partido pedaço de bolo, naquele cenário simples e um pouco diferente do nosso, eu o disse, com tom de brincadeira, é claro: “eu não faço nada direito, não é meu bem!”. Nossos olhares se cruzaram e ele disse sorrindo: “eu te amo Mariana”! O quê? Eu ouvi direito? Fiquei sem reação e o abracei, num silêncio onde só o meu sorriso demonstrava a alegria de ter escutado aquelas três pequenas palavras tão esperadas. Foi o primeiro “eu te amo” da nossa história! E foi ali, naquela humilde residência, que registrei este momento, o qual marcou meu coração e a nossa história, que segue sem medo, com cumplicidade, com companheirismo e com muito amor!

Começar do começo! (03/2013)

Feliz 2013! Feliz ano novo! É assim que nós, brasileiros, nos sentimos no início de março, como se o ano estivesse começando agora! Já dizia a rainha do Axé, Ivete Sangalo, “fevereiro, alegria, muita festa, todo dia”! Sinto informar-lhes que o carnaval já acabou e que agora é hora de planejarmos o ano, organizarmos nossas vidas e arregaçarmos as mangas para voltar à vida real!

Precisamos literalmente colocar a mão na massa para darmos um sentido às nossas vidas e posteriormente colhermos os frutos! A vida é assim! Uma mistura de regras, obrigações, compromissos, disciplinas, atrelados com bom humor, esperança, alegria e prazer. Isso acontece em todos os lugares, com todas as pessoas.

Geralmente, no início de todos os anos, as pessoas escrevem na agenda os objetivos para aquele ano, o que elas querem realizar! Seja aprender um novo idioma, ler mais livros, fazer um trabalho voluntário, viajar para o exterior, fazer uma pós-graduação, reformar a casa, procurar um novo emprego, ou seja, se tornar uma pessoa melhor. Mas não adianta anotar na agenda e sonhar, não é! É necessário começar! Começar do começo!

Você já pensou como será seu ano de 2013? Já se planejou? Faça isso! Ainda há tempo! Faça a sua parte! Sonhe e corra atrás dos seus sonhos! Não se acomode! Afinal, aprendemos quando éramos crianças, com a rainha dos baixinhos, que “tudo que eu fizer, eu vou tentar melhor do que eu já fiz. Esteja o meu destino onde estiver, eu vou buscar a sorte e ser feliz”. Não é tão complicado assim!

Seja feliz e um excelente 2013 para você!

Como valeu a pena comer bobagens! (02/2013)

Café da manhã de domingo. Vamos comer bobagens? Para quem não sabe o significado da palavra bobagens, a qual me refiro, quer dizer aquela comida que a mãe da gente não nos deixa saborear no dia a dia. Lembro-me da Dona Neide, brava como ela só, que me deixava comer bobagens somente nos dias de excursão da escola, na Praça de Esportes de Cláudio. Agora que não tem ninguém para me vigiar, posso comer bobagens no dia que eu quiser! Então vamos comer bobagens! Algumas coxinhas e pastéis fritos! Hum! Que cheiro bom! Eu e meu namorido já tínhamos devorado todos os salgadinhos e ali restavam dois solitários, um de cada! Uma coxinha e um pastel! Detalhe: ele tinha comido mais pastéis que coxinhas e eu comi mais coxinhas que pastéis! Logo pensei: vou comer a coxinha, pois ele comeu mais pasteis, então gostou mais do pastel, então, mesmo com vontade de comer o pastel, peguei aquela última coxinha, pensando eu estar agradando meu amado. Ele, consequentemente, pegou o pastel. Abocanhando a última mordida do salgadinho, confessei que minha vontade era de comer o pastel, mas deixei para ele! E ele, deu gargalhadas confessando que queria a coxinha, porém pegou o pastel achando que eu queria a coxinha!

E assim é a vida! Queremos agradar as pessoas que amamos e mal sabemos que elas fazem o mesmo por nós, até simultaneamente! Pensamos em deixar as pessoas que nos rodeiam felizes antes de pensar em nós mesmos! São provas de amor e amor a gente não explica!

Nossos sorrisos de descobertas e sentimentos puros foram mais saborosos que o pastel que deixei de comer. Como valeu a pena comer bobagens!

Não havia ocasião melhor para aprendermos a lição (02/2013)

Confraternização de Natal da empresa. Muitos sorrisos, comidas, bebidas e presentes. Abraços que não eram tão comuns e uma esperança de melhor convivência a partir daquela festa. Afinal, era Natal!

Chegou a hora do amigo-oculto. Na verdade, foi uma troca de presentes. Cada funcionário levou um presente, na média de um valor pré-determinado. Foram distribuídos números de 1 a 50 para todos e em ordem crescente, cada funcionário podia escolher seu presente. O próximo número poderia escolher outro presente ou roubar o presente escolhido por seu amigo! Aí começou a farra! Pega daqui, rouba de lá! Os olhos da maioria dos funcionários estavam nas mãos dos outros, ou melhor, nos presentes dos seus colegas, mesmo existindo outros presentes para serem escolhidos. Quem tirou o maior número poderia roubar o presente de qualquer colega. Era o que qualquer um ali desejava!

E o momento tão esperado chegou! – Número 50! Quem é? Perguntou a organizadora do evento. O sortudo era Saulo, um advogado simples e amigo. O silêncio pairou naquele momento e todos despistavam, escondendo seus presentes. Saulo silenciosamente se direcionou à mesa onde se encontravam os embrulhos e pegou o último presente, não desejando roubar o de ninguém!

Quer lição melhor que esta? Por que tantas pessoas querem o que o outro tem e não se satisfazem com suas próprias vidas? A grama do vizinho é sempre mais verde ou será que colocamos “óculos com lentes verdes” quando olhamos para o quintal alheio?

Espero que outras pessoas tenham aprendido com Saulo, pois o meu maior presente foi o seu ensinamento, do qual eu não me esquecerei por toda vida.

A propósito, qual foi o presente de Saulo? Acredita que nem percebi? Sua atitude foi tão bonita que me perdi nela. E acredito que para Saulo não importava o que saiu daquele último embrulho. Ele agiu conforme sua consciência e foi realmente lindo. Não havia ocasião melhor para aprendermos a lição, afinal, era Natal!